domingo, 1 de fevereiro de 2015

Sillustani e Lago Umayo

Sillustani e Lago Umayo

Com uma tarde sobrando em Puno, resolvemos fazer um passeio rápido, nas proximidades. Não havia muito tempo, pois tínhamos que pegar voo à no final da tarde em Juliaca. Por isso, de manhã passamos numa agencia de viagens no calçadão de Puno (Calle Lima) e ali contratamos um passeio até Sillustani. A pobre moça da agencia era despreparada, novata, e ficou um pouco aflita quando chegamos na agencia. Atrapalhada, tivemos que ajuda-la, de tanta pena que ficamos dela.

    Após o almoço, fomos encontrar o guia e o carro que nos levou até Sillustani. Não me lembro do preço, mas foi bem barato, coisa de R$ 120 o casal. Mas, Sillustani fica a 30 km de Puno, é perto.
Sillustani, Peru

    Sillustani é um cemitério do povo Colla, uma tribo do grupo Aimará. Não é um cemitério inca, a cultura Colla é anterior à Inca. Os mortos eram colocados dentro de torres circulares de pedras chamadas Chullpas, não eram enterrados. Somente os mais nobres eram sepultados em chullpas.

Infelizmente a maioria das torres foram saqueadas por ladrões de túmulos, restando poucas hoje.
Sillustani (2)

Os collas eram hábeis no manejo e corte de pedras, isso é muito visível neste cemitério. Provavelmente passaram essas técnicas aos incas. Algumas pedras foram recortadas em curva, em medida certa para se formar um círculo. Isso indica que os Collas tinham algum conhecimento de geometria.
Sillustani (3)
Os segmentos de pedras eram cortados em curva, de modo que unidas depois, formavam um círculo perfeito.

Sillustani (6)

O culto aos ancestrais fazia parte da cultura Colla e a elite deste povo construíam essas torres (chullpas) em memória de seus mortos. Algumas chullpas eram túmulos de família. Todas as portas das chullpas eram voltadas ao leste, pois acreditava-se que o nascer do sol representava o renascimento de todo o planeta Terra.


Sillustani (5)
Abertura na chullpa, por onde se introduzia os mortos e alguns objetos de valor do falecido.

Os corpos não eram mumificados, porem em Sillustani foram encontrados vários corpos em bom estado de conservação, devido as condições climáticas da região. Os corpos eram sepultados em posição fetal. Os guias turísticos costumam dizer que essa posição seria para facilitar a reencarnação, o renascimento, pois a posição fetal é a que nascemos. Já os arqueólogos preferem dizer que eram sepultados nesta posição simplesmente por motivo prático; o corpo nesta posição facilitava o manejo e “embalagem”, e ocupava menos espaço no túmulo. Foram encontrados corpos com ossos quebrados, e supõe-se que foram quebrados para facilitar a colocação dentro de túmulos pequenos.
Sillustani (7)
Tres chullpas simples, provavelmente de famílias mais humildes.

O cemitério fica ao lado do belo Lago Umaya. Dali se observa uma ilha curiosa, que é hoje interditada a visitas, por tratar-se de área de preservação biológica. Esta ilha é um pequeno planalto, uma mesa.
Sillustani Lago Umayo (4)

O banheiro decente

Aconteceu um episódio engraçado nesse sitio arqueológico.

Ao pegar o guia em Puno, perguntei-lhe se em Sillustani havia banheiros decentes. Ele disse que sim, que havia, mas que era pago. Melhor ainda, pensei, se é pago provavelmente é limpo. Ao fim da visita, fomos ao tal banheiro, eu e a Solange. Pagamos e o dono do banheiro nos indicou uma porta. Perguntei onde era o feminino, e ele respondeu que era tudo ali, banheiro unissex. De fato, lá dentro tinha duas portinhas, com as plaquinhas “M” e “F”. Tinha também dentro do banheiro um tambor de água, de 200 litros. Entrei no masculino, fiz o número 1 e quando fui dar a descarga, notei que não tinha nada, só o vaso. Não tinha cordinha, botão, caixa de descarga, nada. Sai dali sem entender. E ao sair, entrou um peruano com um balde de água e jogou no vaso, era a descarga.

Quando fui lavar as mãos, tinha somente o lavatório, mas não tinha torneira. O cara do balde encheu uma canequinha de água, ele ia jogando água na minha mão lentamente com a canequinha, substituindo a torneira.

Nos fundos do banheiro, tinha um mictório. Quando a Solange saiu do “F”, deu de cara com um cara urinando.

Isso demonstra bem o que é hoje o turismo no Peru : muito amador, rudimentar.

Saímos dali pasmados e rindo da bizarrice.

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